Thursday, February 4, 2016

Quinta-feira 4 de Fevereiro de 2016

"O próprio ator interrompe a ação e por fim compreende aterrorizado e a um só tempo a sinistra coincidência da cena e do momento, o que aquele vulto veio anunciar sobre o mundo do lado de fora, com buzinas, motores e sirenes; compreende por que a mulher não apareceu e afinal o que sente o humilde lavrador; compreende por que o diretor não o interrompeu desta vez, porque por fim esteve perfeito na pele do lavrador em sua súplica diante da morte; compreende que por um instante encarnou de fato o lavrador, que involuntária e inconscientemente, por uma trapaça do destino, tornou-se o próprio lavrador pelo que aquele vulto veio anunciar; compreende tudo num segundo." 

(Bernardo Carvalho, Estão Apenas Ensaiando, Página 4)

Acho interessante que este conto mostra a justaposição entre a maneira em que o ator estava a interpretar o papel do lavrador as primeiras vezes, e depois de perceber porque a sua mulher se atrasava e que de verdade estava morta. Assim o conto indica que o arte, sem compreensão e experiência no "mundo de lado de fora," é considerado vazio e plano--sem substância. Mas a vida presta-se a experiência, tragédia, e crescimento e é então que o arte começa a tomar significado para o indivíduo.

Na missão, o trabalho foi duro e as pessoas fechadas e muitas vezes chateadas connosco. Passei muito tempo a andar e pensar. As experiências durante este tempo deixou o meu coração mais macia e compreensivo. Fiquei mais emocionante e durante conversas e lições, percebi que eu não estava  apenas a recitar pontos de uma lição--não era apenas um ator a interpretar um papel--mas sim falava os sentimentos próprios. Assim a vida dá significado ao arte.

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